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A Caixa Econômica Federal perdeu participação na concessão de crédito imobiliário no país. Historicamente, o banco era responsável por 90% de todo financiamento habitacional concedido no país. Essa situação começou a mudar no ano passado.

Em 2004, a Caixa contratou R$ 6 bilhões em operações de crédito imobiliário. O setor privado, por sua vez, liberou outros R$ 3 bilhões para o financiamento habitacional. Com isso, a participação da Caixa na concessão de crédito imobiliário recuou de 90% para 66%.

Segundo analistas de mercado, essa diferença pode ser reduzida ainda mais em 2005. A Caixa pretende terminar o ano com R$ 10 bilhões em operações de crédito imobiliário, mas liberou só R$ 2,9 bilhões até junho. Já o setor privado espera fechar o ano com a concessão de até R$ 4,2 bilhões para a área imobiliária.

Mas analistas do setor dizem que o montante pode chegar a R$ 5 bilhões. Independentemente dos valores, a Caixa ainda se manterá no posto de maior operadora de crédito imobiliário do país.

No entanto, Décio Tenerello, presidente da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), disse que a montante não deve superar os R$ 4,2 bilhões neste ano. "Esse mercado depende da capacidade de renda do comprador e da oferta de produtos, principalmente para a classe média baixa."

Segundo ele, a renda do consumidor ainda não deu sinais de recuperação para revisar as projeções. "Além disso, a oferta de imóveis para a classe média, com valores de até R$ 150 mil, é muito reduzida."

Tenerello disse que as unidades habitacionais dessa faixa de valor são rapidamente absorvidas pelo mercado.

Ele não acredita que a crise política vá inibir a demanda por financiamentos habitacionais. "O que inibe é a desaceleração da atividade econômica, o desemprego. Enquanto a economia estiver bem, haverá demanda."

Inversão

Tenerello disse que a ampliação dos bancos privados na concessão de crédito imobiliária já era prevista. "Foram editadas uma série de medidas que impulsionaram a ampliação da concessão de crédito."

Entre os incentivos dados pelo governo está uma resolução do CMN (Conselho Monetário Nacional), que determinou que os bancos seriam obrigados a elevar em pelo menos 45% o volume de recursos destinados ao financiamento da casa própria no segundo trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2004.

No início do ano, o conselho havia estipulado um percentual de crescimento de 30% para o primeiro trimestre.