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Em uma verdadeira maratona imobiliária, cerca de 1.300 dos 1.480 apartamentos da Vila do Pan foram vendidos ontem em menos de oito horas.

De acordo com o primeiro balanço divulgado pelas imobiliárias envolvidas na negociação, todas as unidades de uma (640) e duas (480) suítes esgotaram antes do final da tarde.

Segundo o boletim, 80% dos apartamentos de três suítes e 45% dos de quatro suítes também foram negociados até às 17h30 de ontem.

"Este volume superou todas as nossas expectativas. É um recorde para o Brasil", disse Rubem Vasconcelos, presidente da Patrimóvel, uma das maiores empresas do setor imobiliário do país.

Ele disse que o antigo recorde da sua empresa foi a venda de 800 unidades de um condomínio em Belo Horizonte há cerca de dez anos. Para conseguir atender ao grande número de interessados --23 mil pessoas se inscreveram no site da vila pedindo informações sobre o projeto--, os organizadores alugaram duas maiores casas de shows --Claro Hall e Ribalta. Elas abriram às 9h30 e fechariam por volta das 23h.

Apesar da boa aceitação no mercado, os vendedores não acreditavam que todas as unidades seriam arrematadas até o final da noite de ontem.

O apartamento de apenas uma suíte custou cerca de R$ 100 mil, o de duas foi vendido pelo valor médio de R$ 200 mil. Já as unidades de três suítes foram orçadas em cerca de R$ 290 mil.

Com a venda dos 1.300 apartamentos, foram arrecadados cerca de R$ 200 milhões.

"O sucesso se deve ao financiamento subsidiado que a Caixa Econômica Federal está fazendo [TJLP mais 4% de juros], ao projeto em si que é muito interessante, com parques e piscina, além do fato de estar atrelado ao Pan. Depois da experiência de Barcelona, em 92, quase todas as vilas serviram para valorizar as suas regiões", disse Vasconcellos.

No final de 2004, a Caixa liberou, via recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), R$ 189,4 milhões, o que corresponde a 85% do custo total da obra. O restante sai da Agenco, responsável pela construção.

"Comprei um apartamento com duas suítes como investimento. Acredito que após a inauguração vou valorizar o meu dinheiro cerca de 30%", disse o comerciante Antônio Augusto Meirelles, 55, morador de Jacarepaguá. Os proprietários dos novos apartamentos só entrarão no imóvel após a realização do Pan, que será em julho de 2007.

A construção da Vila é um dos pontos traumáticos do Pan-07. Até setembro, a viabilidade do complexo era uma incógnita.

O Tribunal de Contas da União apontou que o projeto era inviável, pois a situação econômica da Agenco não permitiria o financiamento total da obra.

O plano acabou redimensionado: o número de apartamentos caiu de 2.000 para 1.480.

Em vez dos 25 edifícios do projeto original, serão erguidos 17.

Com a assinatura do financiamento no final do ano, a Agenco e a prefeitura prometeram entregar a Vila Pan-Americana até 2006. Agora, a Agenco já anuncia que os últimos dois prédios só estarão prontos em janeiro de 2007.